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Transição energética

Foto: Agência Espacial Norte-Americana (NASA).

Os ecossistemas que integram a biosfera são sensíveis às interferências provocadas pelo homem. A poluição ambiental e o esgotamento dos recursos naturais são motivos de estudos pois a velocidade da degradação do meio ambiente leva ao risco de se perderem as condições de regeneração e recuperação daqueles ecossistemas.

Na atmosfera, o “efeito estufa” é o processo físico que equilibra a temperatura do planeta, favorecendo a manutenção da vida. O físico francês Jean Baptiste Jopseph Fourier, em 1824, calculou que a Terra seria aproximadamente 15,5ºC mais fria se não houvesse atmosfera, tornando a vida do planeta mais difícil. Em 1896, o sueco Svante August Arrhenius foi o primeiro cientista a reconhecer que a queima de bilhões de toneladas de petróleo, carvão e gás adicionaria muito mais CO2 à atmosfera, resultando, assim, em aquecimento global.

Antes da 1ª Revolução Industrial (1760-1850), as emissões de CO2 eram baixas, permanecendo lentas até meados do século XX. Em 1950, foram gerados 6 bilhões de toneladas de CO2 pela queima de combustíveis fósseis. A partir de então, o crescimento foi tão vertiginoso a ponto de terem sido gerados 37 bilhões de toneladas, em 2022.

Emissões de CO2 por combustíveis fósseis pela indústria.

Transição energética

Fonte: Our World in Data.

O rápido e disruptivo desenvolvimento industrial marcou maiores emissão de gases poluidores, motivos que levaram a comunidade internacional a desencadear uma corrida internacional para tentar mitigar os seus efeitos, mediante uma transição energética capaz de atenuar o aquecimento global e suas consequências.

Na década de 70, se percebeu que o exagerado consumo de recursos naturais e o exacerbado uso de energias fósseis estavam ocasionando uma evidente degradação do meio ambiente, prejudicando a qualidade de vida das pessoas. O surgimento de inúmeros problemas ambientais e diversos eventos climáticos foram as respostas da natureza de que as atividades econômicas, baseadas no uso intensivo de combustíveis fósseis, encontrara seus limites.

Eventos extremos da natureza têm ficado cada vez mais frequentes, como a elevação do nível dos oceanos, secas generalizadas, mudanças dos padrões de clima, derretimento de geleiras e aumento da temperatura média global. Estiagens, enchentes, tempestades e temperaturas extremas são os casos mais evidentes nas últimas décadas.

Não por acaso, organizações nacionais e internacionais buscam incessantemente o estabelecimento de uma consciência ambiental, no sentido de conciliar as atividades econômicas sem, contudo, comprometer os recursos naturais às gerações futuras.

Daí a imperiosa necessidade de se buscar alternativas de geração de energia de fontes renováveis (ambientalmente mais limpas e ecologicamente sustentáveis), em contraposição aos combustíveis derivados do petróleo. Estas constatações constam no Relatório de Riscos Globais de 2024, do Fórum Econômico Mundial. Ao se perguntar quais os potenciais riscos nos próximos dez anos, os resultados apontaram que a longo prazo os eventos climáticos extremos, dano à biodiversidade, escassez de recursos naturais e poluição seriam as principais preocupações da comunidade internacional.

Relatório da Organização Meteorológica Mundial constatou que o ano de 2023 já foi considerado o mais quente em 174 anos de medições meteorológicas. O relatório informou que a temperatura média global dos dez últimos anos foi 1,19 ± 0,12°C acima da média de 1850 a 1900; que as concentrações de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso atingiram níveis recorde em 2022; que o calor dos oceanos atingiu o seu nível mais elevado em 2022 em comparação aos dados disponíveis nos últimos 65 anos; e que em 2023, o nível médio do mar superou os dos anos anteriores, refletindo o derretimento dos glaciares e das camadas de gelo.

Em 2024, o Observatório Climático da Comissão Europeia Copernicus apontou que nos últimos doze meses, as temperaturas globais foram 1,58°C mais elevadas do que na era pré-industrial, ultrapassando o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris; e que a mais de um ano a temperatura dos oceanos tem estado mais quente do que nunca, tendo sido registrado um novo recorde com uma média de 21,07°C medida na superfície.

Para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o aquecimento induzido pelo homem atingiu aproximadamente 1°C acima dos níveis pré-industriais, em 2017. Mantendo as atuais atividades econômicas, baseadas em combustíveis fósseis, as temperaturas globais atingiriam 1,5°C por volta de 2040.

Projeções do aquecimento global provocada por atividade humana

Transição energética

Fonte: Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Inundações em zonas costeiras, maior propagação de doenças pelas altas temperaturas, dificuldade de acesso a fontes de água potável, diminuição da produção agrícola e aumento dos preços dos alimentos seriam os efeitos que diversas cidades vêm enfrentando, trazendo-lhes impactos socioeconômicos desastrosos.

Em 2024, a Agência Espacial Norte-Americana (NASA) estimou que, dentro de 30 a 50 anos, certas regiões do mundo seriam inabitáveis devido ao aquecimento global, indicando que as áreas mais vulneráveis incluiriam o Sul da Ásia, o Golfo Pérsico e o Mar Vermelho, por volta de 2050; e o Leste da China, partes do Sudeste Asiático e Brasil até 2070.

Ainda em 2024, a NASA divulgou, também, dados científicos que revelam a possibilidade de, até 2050, o aumento do nível do mar ser de até 20 centímetros, impulsionado pelas mudanças climáticas. Pelas projeções futuras, a linha vermelha contínua, do gráfico a seguir, indicaria a trajetória deste aumento (1993 a 2023), que mais do que duplicou nas últimas três décadas. E a linha vermelha pontilhada projetaria o aumento do nível do mar.

Aumento do nível do mar em decorrência do aquecimento global.

Transição energética

Fonte: Agência Espacial Norte-Americana (NASA).

Por fim, cientistas do British Antarctic Survey concluíram que o degelo registrado em 2023 na Antártida teria sido “extremamente improvável" sem as mudanças climáticas, tendo a extensão máxima do mar coberta por gelo diminuído em dois milhões de quilômetros quadrados.

Foram por estas e outras informações que corroboram com a necessidade dos países implementarem, com um certo senso de urgência, a transição energética e a descarbonização de suas economias, contribuindo para mitigar os efeitos do aquecimento global e evitar o surgimento de crises globais. De fato, a convergência simultânea dos eventos climáticos supracitados teria a capacidade de afetar decisivamente os países, impactando social e economicamente a vida de milhões de pessoas.

Desta forma, a crise climática, ora existente, coloca um imperativo inadiável à comunidade internacional: a transição energética precisa ser intensificada, sob pena de se repetir, mais continuamente, eventos extremos e adversos da natureza.

REFERÊNCIAS:

  • XII Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos de Defesas. Mudanças climáticas, desastres naturais, emergências sanitárias e Forças Armadas: desenvolvendo resiliência por meios das operações interagências, 2021.
  • AGU Advancing Earth ans Space Sciences. CMIP6 Models Rarely Simulate Antarctic Winter Sea-Ice Anomalies as Large as Observed in 2023. Publicado em: 20 mai. 2024.
  • BRASIL. Ministério da Defesa. Escola Superior de Guerra. Manual Básico. Volume II. Assuntos Específicos. Rio de Janeiro, 2009.
  • Copernicus. Climate Change Service. Monthly Climate Bulletin. March 2024 – 10th consecutive record warm month globally.
  • Governo do Estado do Ceará. Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho. Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (ADECE). Energias Renováveis do Ceará. Fortaleza, 2019.
  • HOLANDA, Francisco Ariosto. Aos Jovens: O Desafio da Ciência no Século XXI. Editora Pouchain Ramos. Fortaleza, 2. Ed, 2016.
  • Iberdrola. Impacto da mudança climática. Como a mudança climática afeta a economia e a sociedade? Disponível em: https://shre.ink/gBGt
  • Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Global Warming of 1.5°C. Framing and Context. Publicado por Cambridge University Press, 2022, p. 49 a 92.
  • __________. Summary for Policymakers. Climate Change 2023: Synthesis Report. Geneva, Switzerland.
  • MAPA. INMET. 2023 é o mais quente em 174 anos, confirma relatório da OMM. Publicado em 04 dez. 2023. Disponível em: https://shre.ink/gBGq.
  • NASA. Too Hot to Handle: How Climate Change May Make Some Places Too Hot to Live. Publicado em 09 mar. 2024.
  • NASA. California Institute of Technology. Climate Change. NASA Analysis Sees Spike in 2023 Global Sea Level Due to El Niño. Publicado em 21 mar. 2024.
  • National Geographic. O que é o aquecimento global? Disponível em: https://shre.ink/gBjF.
  • OLIVEIRA, Joaquim Caldas Rolim de. Energias Renováveis e Hidrogênio Verde: pilares da transição energética e a oportunidade do Brasil. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2024.
  • RITCHIE, Hannah; ROSER, Max. CO₂ Emissions How much CO₂ does the world emit? Which countries emit the most?. Our World in Data. 2020. Disponível em: https://ourworldindata.org/co2-emissions.
  • World Economic Forum (WEF). The Global Risks Report 2024. Insight Report.
  • World Meteorological Organization (WMO). Provisional State of the Global Climate 2023. Publicado em 30 nov. 2023.