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Foto: INFOR Channel.

O processo de globalização da economia e dos negócios internacionais implicou no aumento da concorrência de produtos, bens e serviços entre países, empresas e indústrias. Ao longo do tempo, o que poderia ser uma corrida para alcançar rentabilidade e lucratividade, se verificou que a autossuficiência de recursos e capacidades seria difícil de alcançar individualmente, motivo pelo qual o mercado descobriu os benefícios das alianças estratégicas entre duas ou mais empresas (instituições, organizações, etc), contribuindo para que esta união potencializasse vantagens competitivas.

Por outro lado, o incremento da competitividade se tornou uma questão de sobrevivência com impactos diretos na produtividade, nos custos, na qualidade, em novas tecnologias e na qualificação de recursos humanos. E como seria difícil cada empresa ser autossuficiente, se justificava, assim, a necessidade das alianças estratégicas.

Trata-se de acordos nos quais dois ou mais parceiros dividem o compromisso de alcançar um objetivo comum, unindo as suas capacidades e recursos, implicando algum grau de coordenação estratégica em atividades conjuntas de P&D, transferência de tecnologia, concessão de direitos de produção e venda e acordos na área de marketing.

Se referem, também, a acordos espontâneos entre organizações com o propósito de troca, divisão ou desenvolvimento cooperativo de projetos e recursos, seja na forma de produtos, serviços ou tecnologias.

Outros entendimentos enfatizam a necessidade das alianças estratégicas possuírem:

  • a. Clareza nos objetivos;
  • b. Parcerias em competências complementares;
  • c. Distribuição de tarefas e responsabilidades;
  • d. Estímulos para a cooperação;
  • e. Comunicação eficaz e confiança mútua;
  • f. Planejamento de longo prazo;
  • g. Desenvolvimento de projetos em conjunto; e
  • h. Flexibilidade.

Um aspecto relevante seria o ganho de aprendizagem como a principal vantagem no processo de alianças estratégicas pois, a partir delas, novos conhecimentos seriam gerados, refletindo positivamente em vantagens competitivas.

Pode-se entendê-las como um elo que une as empresas que fundamentar-se-ia no aumento de estratégias competitivas de negócio, proporcionando sinergias e benefícios em diversas áreas da organização e refletindo no aperfeiçoamento de processos.

Conjugando as características supracitadas, as organizações parceiras buscariam obter melhores resultados de modo que a performance do grupo fosse maior do que seria se cada uma das partes trabalhasse independentemente.

A tabela abaixo apresenta um resumo das características e benefícios das alianças estratégicas:

Característica e benefícios das alianças estratégicas

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Por fim, a literatura apresenta outro conceito de aliança estratégica. Trata-se de três domínios de cooperação, cada um com suas particularidades.

Domínios de cooperação nas alianças estratégicas

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De acordo com o conceito acima, se admite que uma aliança seria estratégica quando englobasse os três domínios, ainda que tenha sido classificada em somente um. Ou seja, seria estabelecida para uma ou várias atividades mas, direta ou indiretamente, acabaria por envolver as atividades restantes.

Quanto à transição energética, o gráfico a seguir é muito elucidativo pois demonstra como Alemanha e Países Baixos foram os maiores mercados de hidrogênio em 2022.

Demanda europeia de hidrogênio em 2022 (Mt/ano).

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Fonte: Porto de Roterdã (Uribe, 2024).

Da análise da demanda europeia de hidrogênio em 2022, se infere que o Estado do Ceará decidiu estratégica e acertadamente em estreitar os acordos, relacionados ao H2V, com aqueles dois países. E as justificativas são as seguintes:

Em 2023, os Países Baixos e o Estado do Ceará estabeleceram o Corredor de Hidrogênio Verde (Pecém - Roterdã) e implementaram a Parceria de Portos Verdes para o desenvolvimento da produção de H2V. A posteriori, em 2024, os portos Pecém, Rotterdam e Duisport (Alemanha) assinaram Memorando de Entendimento (MoU) para expandir o Corredor de Hidrogênio Verde até a Alemanha.

E recentemente, em 2025, foi assinado novo MoU com o porto de Rostock (Alemanha), permitindo que o H2V do Pecém pudesse chegar até os países do Mar Báltico (Dinamarca, Suécia, Finlândia, Polônia, Estônia, Letônia e Lituânia).

Com isso, se conclui que as diversas vantagens e benefícios que caracterizariam as alianças estratégicas poderiam ser usufruídas pelo Estado do Ceará por ocasião da produção e exportação de H2V à Europa.

Portanto, os ganhos já alcançados entre os portos Pecém, Rotterdam (Países Baixos) e Duisport e Rostock, na Alemanha, trazem um cenário mais que promissor à economia do H2V no Ceará com o potencial de consolidá-lo com partícipe da transição energética global e indutor do desenvolvimento socioeconômico à população cearense.

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