O Governo do Estado do Ceará considera a Transnordestina a principal obra de logística da história devido à importância do empreendimento para o desenvolvimento econômico, com impacto direto na geração de empregos, no fortalecimento da logística e na interiorização do crescimento.
A ferrovia corta o Estado no sentido Norte-Sul (longitudinal), ligando a Região do Cariri (Missão Velha) ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (no litoral Atlântico), totalizando 608 km de extensão e cortando as áreas de 28 municípios cearenses. Somente no Ceará, há a previsão de implantação de seis terminais de cargas, dispostos na rede rodoviária e conectados à ferrovia. Com isso, o transporte intermodal (ferrovia e rodovias) deverá aumentar a capacidade logística do Estado.
Já foram definidas obras de melhorias (pavimentação) nas rodovias estaduais CE-253, CE-257, CE-564, CE-282, CE-375 e CE-060, possibilitando o aumento do fluxo de veículos pesados e a maior movimentação econômica na região do Sertão Central. Ademais, o terminal de cargas no Porto do Pecém será responsável, também, pela ligação das malhas ferroviárias da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) - que liga o Porto de Itaqui (Maranhão) aos do Pecém e do Mucuripe (Fortaleza) e a Transnordestina Logística S.A. (TLSA).
No contexto da complementaridade, de grande importância para a circulação de mercadorias, se destaca a possibilidade da integração da Transnordestina com a Ferrovia Norte-Sul, ocasião esta que seria possível o transporte da produção de grãos do Centro-Oeste ao Nordeste. O Quadro 1, a seguir, apresenta o incremento da intermodalidade no Ceará com a implementação da Ferrovia Transnordestina.
Quadro 1: Intermodalidade da Transnordestina no Ceará
Fonte: Araújo et al. (2024); RF (2025), Rodrigues (2025), FIEC (2026).
A possibilidade do escoamento de bens por mais de um modal confere ao produto e ao consumidor uma grande flexibilidade. A integração do sistema de transporte como um todo asseguraria, em melhores condições, as ligações entre as áreas de matérias-primas e os centros industriais, entre centros de produção e os centros de consumo e entre aqueles e os portos. As condições supracitadas são perfeitamente aplicáveis no Ceará quando da integração da Ferrovia Transnordestina com as rodovias federais e estaduais, porto do Pecém e outras malhas ferroviárias (Quadro 1).
Figura 1: Terminal Intermodal de Cargas (Piauí)
Fonte: Movimento Econômico (Brandão, 2026).
Para isso, o Ceará contará com seis terminais de carga e outros portos secos. Lembra-se que a instalação do porto seco tem impacto positivo no setor produtivo pois facilita a importação de insumos e equipamentos, proporciona velocidade, competitividade na exportação e investimentos de diferentes áreas. Outras vantagens seriam a proximidade de Maranguape (terminal de carga) ao Porto do Pecém (50 km) pois a infraestrutura já existente deverá refletir na redução no custo do frete e, consequentemente, impacto positivo no preço final para o consumidor.
Ressalta-se que o Porto Seco de Quixeramobim contribuiria para desconcentrar a economia estadual que já é muito concentrada na Região Metropolitana de Fortaleza. Com o avanço das obras da Transnordestina, o Estado aproximar-se-ia de um novo marco logístico, capaz de integrar rodovias, ferrovias e portos, reduzindo custos de transporte e fortalecendo a atividade industrial regional.
Por isso, se infere que o sistema de transporte no Ceará, considerando a Transnordestina a coluna vertebral na movimentação de cargas ao longo do Estado (Norte-Sul), faria a conexão com demais modais (Quadro 1), uma garantia de cobrir uma expressiva área de influência econômica (fontes de matérias-primas, centros industriais, centros de produção e centros de consumo) no Ceará e no Nordeste.
Muito além dos ganhos econômicos, a operacionalização da ferrovia proporcionará inúmeros outros ganhos e benefícios, seja de ordem política, seja de ordem social. A Transnordestina teria a força de consolidar o transporte multimodal, a logística de distribuição e a logística de suprimento.
De certo, chegou a oportunidade do Ceará potencializar as diversas cadeias produtivas no Estado, ultrapassando seus limites, divisas e fronteira, alcançando os mercados do Nordeste, do Brasil e o internacional.
A curto e médio prazos, se esperam mudanças e melhorias nos indicadores socioeconômicos cearenses, decorrentes do incremento da movimentação de cargas.
Assim, as informações do Quadro 2 anteveem os impactos desse empreendimento estruturante na conjuntura socioeconômica do Estado.
Quadro 2: Benefícios e vantagens da Ferrovia Transnordestina para o Ceará
Fonte: Araújo et al. (2024); RF (2025), Rodrigues (2025), FIEC (2026).
No momento em que o Ceará vem despontando-se como protagonista na geração de energias renováveis (eólica e fotovoltaica), reconhecido internacionalmente como partícipe do processo global de descarbonização da economia (produção e exportação de hidrogênio verde), detentor de uma vocação natural e estratégica de ser ponto de entrada de diversos cabos submarinos e uma área de interesse na construção de datacenters, é lícito afirmar que as contribuições, vantagens e benefícios, decorrentes da construção da Ferrovia Transnordestina, conjugadas com as perspectivas energéticas e digitais supracitadas, desencadearia condições diferenciais, competitivas e vantajosas as quais colocariam o Estado do Ceará em um outro patamar político e socioeconômico, seja a nível regional, nacional e internacional.
Daí, pois, antever como a Ferrovia Transnordestina teria a capacidade de mudar a realidade do Estado, incrementando o seu desenvolvimento em proveito do setor produtivo e da população cearense.
REFERÊNCIAS:
- ARAÚJO, D.; NASCIMENTO, H. R.; MENDES, W.; RODRIGUES, L. Ceará pode ter pelo menos três portos secos no caminho da Transnordestina. Estruturas serão dedicadas para venda e processamento de cargas da ferrovia, bem como demais atividades econômicas. Diário do Nordeste. Publicado 25 nov. 2024. Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/negocios/ceara-pode-ter-pelo-menos-tres-portos-secos-no-caminho-da-transnordestina-veja-locais-1.3583131
- BARRETO, F. Ceará vai contar com seis terminais de cargas para a Transnordestina. Opinião CE. Direto ao Ponto. Economia. Publicado em: 10 fev. 2026. Disponível em: https://www.opiniaoce.com.br/ceara-vai-contar-com-seis-terminais-de-cargas-para-a-transnordestina/#:~:text=O%20Cear%C3%A1%20vai%20contar%20com,mapeados%20pela%20Transnordestina%20Log%C3%ADstica%20S.A. Acesso em: 17 fev. 2026.
- BRANDÃO, B. Transnordestina deixa etapa de testes e inicia operações provisórias de carga. Movimento Econômico. Publicado em: 12 jan. 2026. Disponível em: https://movimentoeconomico.com.br/geral/infraestrutura/ferrovia/2026/01/12/transnordestina-deixa-etapa-de-testes-e-inicia-operacoes-provisorias-de-carga/ Acesso em: 12 fev. 2026.
- CASTRO, T. C. de. Espaços Geográficos. Sistemáticas de Estudo. Biblioteca do Exército Editora. 2ª Edição. Rio de Janeiro, 1994.
- Ceará Agora. Transnordestina no Ceará: integração entre ferrovia e rodovias pode reduzir preço de produtos. Publicado em: 09 fev. 2026. Disponível em: https://cearaagora.com.br/transnordestina-no-ceara-integracao-entre-ferrovia-e-rodovias-pode-reduzir-preco-de-produtos/ Acesso em: 15 fev. 2026.
- Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC on line). FIEC, Prefeitura de Maranguape e Transnordestina discutem estratégias para desenvolvimento industrial do município em torno da ferrovia. Publicado em: 12 fev. 2026. Disponível em: https://www1.sfiec.org.br/fiec-noticias/search/170769/fiec-prefeitura-de-maranguape-e-transnordestina-discutem-estrategias-para-desenvolvimento-industrial-do-municipio-em-torno-da-ferrovia Acesso em: 14 fev. 2026.
- LEMOS, M. Quatro rodovias estaduais com conexão à ferrovia Transnordestina recebem obras no Ceará. Intervenções são fundamentais devido ao futuro aumento de fluxo de cargas. Diário do Nordeste. Publicado em: 24 jun. 2025. Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/negocios/quatro-rodovias-estaduais-com-conexao-a-ferrovia-transnordestina-recebem-obras-no-ceara-veja-locais-1.3662160 Acesso em: 05 jan. 2026.
- Revista Ferroviária (RF). Transnordestina se projeta como a espinha dorsal da economia do Nordeste. Jornal O Povo. Publicado em: 10 jan. 2025. Disponível em: https://revistaferroviaria.com.br/2025/01/transnordestina-se-projeta-como-a-espinha-dorsal-da-economia-do-nordeste/ Acesso em: 09 fev. 2026.
- RODRIGUES, L. Quixeramobim projeta dobrar PIB em 10 anos com Transnordestina e Porto Seco. Cidade do Sertão Central receberá investimentos bilionários nos próximos anos. Diário do Nordeste. Publicado em: 21 jul. 2025. Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/negocios/quixeramobim-projeta-dobrar-pib-em-10-anos-com-transnordestina-e-porto-seco-1.3670568 Acesso em 15 fev. 2026.